terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Hoje

20 de Janeiro

Em 2005 passei um dia de sofrimento. Até hoje tento exorcizar a minha perda. Transforma-la em algo normal, vital e apenas corpóreo, tem sido complicado. Reconforta-me saber que o céu é o limite e que a recordação fica para todo o sempre.
Fazem quatro anos que a minha avó partiu.
Suspirei quando levantaram a tampa do caixão. Esmoreci quando a vi fugir-me de entre os braços. Idolatrei-lhe o corpo frio e mórbido. Saiu, carregada em ombros, de casa e a seguir do templo. Desceu em direcção à sua nova morada, ali beijei-a pela última vez. Fora colocada no local em que todos descansam para sempre.

Desde aí, senti-a eternamente ao meu lado. O corpo continua lá, no local que poucas vezes visito, porque custa-me muito ver a sua fotografia associada à eternidade, à mágoa e à efemeridade daquele silêncio.

Sinto que ela comunica comigo todos os dias. Sinto a sua mão no meu ombro, a sua voz nos meus sonhos, o seu calor no meu coração. Nunca esquecerei como sendo segunda mãe que me acompanhou... os passeios que demos, as coisas que me ofereceu, o ombro amigo que foi, o pilar moral e ético que sempre me ancorou.

Ouso ser repetitivo e chato ao escrever sobre o mesmo. Esta é a forma que te sinto a ouvir-me.
A ideia de outras perdas começa-me a assustar, nem sei como irei lidar com essa realidade. O tempo corre a mil à hora.
O coração nunca ganhará calo. A memória nunca perdoará os episódios que nos marcam.

[!]

Hoje toma posse Barack Obama. O mundo anda doido com o novo Presidente dos EUA. Depositam nele esperanças de mais, afinal de contas é um ser humano e não um Deus. A simplicidade de Barack Obama não condiz com a prepotência americana. Das duas uma, ou mudará ou será mudado.
Veremos desabrochar uma americana mais socialista, mais humana, menos capitalista? Certo é que o american way of life afrouxa com a vulnerabilidade de um sistema em crise. Resta saber, se tal como Franklin D. Roosevelt (exerceu quatro mandatos), Barack Obama será capaz de reinventar o modelo, sarar as feridas americanas, de lamber o suor daquela máquina de fazer dinheiro.
Penso-o num patamar político e diplomático muito superior ao do seu antecessor. Ele rompe com a tradição numa lógica de continuidade, isso agrada-me.

Sem mais,
Luís Gonçalves Ferreira

2 comentários:

  1. Em primeiro lugar, a perda de pessoas queridas é uma dor que custa muiiiito a passar, mas com o tempo (que ajuda, ou não, em tudo) vai abrandar, e quando menos estiveres à espera vai passar a ser um punhado de boas lembranças!

    Em segundo lugar, espero que não seja o B. Obama a ser mudado!


    Beijinhos!

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  2. O que escreves sobre a tua avó toca-me pessoalmente: a 27 de Novembro de 2007 escrevi algo com o mesmo sentido, sobre o meu avô, que morreu há bem mais tempo. E a ferida permanece, creio que perdurará para sempre...

    Sobre o Obama... Oh pá... Hoje dei por mim a ver a tomada de posse com um sorriso nos lábios, com a certeza de algo vai mudar para melhor (até porque, a bem dizer, "pra pior já basta assim", como dizia o outro). Tenhamos esperança!

    Quanto à UCP, e exceptuando-me a tecer comentários sobre o crescente prestígio de uma Escola de Direito de onde fugi, na minha altura, porque queria era ir para Coimbra, deixa-me que te diga: pode ser que, a vires, te inscrevas numa cadeira opcional não-jurídica ( a ter início no próximo ano lectivo) e encontres uma professora que conheces de outras andanças... Era giro! Quem sabe...?

    Beijoooooos!

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