terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

"Dura praxis, sed praxis"

Se há coisinha (no sentido pejorativo do diminutivo) que me abespinha e enerva (dando-me calores e precipitando-me os odores) é a PRAXE! Odeio extremismos, provocações, humilhações e meras (e artificiais) manifestações de poder barato e prepotente.

A resposta ao porquê de ainda existir está na motivação perpétua da praxe - todos sonham manipular e humilhar alguém sem consequências directas desse comportamento.

Esta repulsa pela praxe já é antiga. Nunca me vi a fazer algo contra os meus princípios e valores, nunca me coloquei num qualquer lugar a rir-me da cara da outra pessoa, aos berros, numa encenação redutora de uma qualquer condição adquirida.

Fiz questão de experimentar para ter a certeza do que defendia. Cheguei a casa de rastos, jurei que nunca mais colocaria lá os pés. Constatei que nenhuma integração era feita e a humilhação era a real amplitude daquele modismo cultural.

Já passaram muitos meses e nunca me arrependi do que fiz. O olhar dos outros face aos que se recusam a ser praxados não é o mesmo. Eu nunca me declarei anti-praxe, porque não me considero como tal. Simplesmente não quero participar em algo que vá contra mim mesmo e a minha própria natureza. Prefiro evitar as coisas que me desgastam física e emocionalmente. Gosto da minha liberdade e prezo a dos outros. Não quero subjugar os meus princípios ao corpo dos outros, à vontade dos que me rodeiam. Nunca o fiz, nem nunca o farei.

Esta é uma questão de princípios. Não defendo que a praxe deva acabar, nem que deva ser proibida. Simplesmente deve existir liberdade (prática, real e coerente) na escolha. A integração não deve ser responsabilidade da hierarquia da praxe, mas sim de organizações necessariamente independentes. Uma necessidade (a integração) não pode encapotar pretensões secundárias (a humilhação). O contrário é aceitar os "males necessários".

Faço esta reflexão pública volvidos tantos meses do início desta caminhada académica, porque hoje recebi um e-mail eticamente duvidoso. Colocaram-se em causa opções e motivações pessoais, com ameaças claras e chantagens perigosas. Elegeu-se mais uma estrutura interna de poder, mais uma hierarquia que faz lembrar o tempo dos "bufos", em que o medo reinava e a liberdade estava desvirtuada nas mãos de um Regime.

Estas estruturas de poder baralham a sageza de uma mente que se quer jovial e sã.

Se "dura lex, sed lex" e "dura praxis, sed praxis", onde pára, no meio do cala, engole e não geme, o raciocínio e o poder de dizer "NÃO!"?

Sem mais,
Luís Gonçalves Ferreira

3 comentários:

  1. Desde pequena sempre ouvi falar das praxes e sempre dizia q eu n ia para universidade nenhuma só com medo de passar por essas humilhações!

    Eu sou completamente anti-praxe acho q as pessoas n tem de passar por vergonhas tamanhas nem constantes humilhações pa serem aceites! Deviam acabar com isso!

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  2. Pára na tua boca. Em quem tu és. Eu nunca fui praxada, nunca praxei, embora nada tendo contra quem o faz ou o recebe de livre vontade. É como as lutas na lama: nada tenho contra elas, tirando o facto de as achar uma idiotice pegada.
    A liberdade de escolha é a maior que o ser humano pode alcançar. Agarra-a!
    :)
    Beijo.

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  3. Já te disse qual é a minha opinião acerca desse assunto!

    Sei que muitos se sentem humilhados, e nesse caso, acho perfeitamente normal não quererem participar nas praxes.

    O bom da vida é que (ainda) temos liberdade de escolha e, assim sendo, podemos SEMPRE dizer Não!


    Beijinho

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