quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Sintonização: Grupo Novo Rock



"Há um prenúncio de morte
Lá do fundo de onde eu venho
Os antigos chamam-lhe relho
Novos ricos são má sorte

É a pronúncia do Norte
Os tontos chamam-lhe torpe

Hemisfério fraco outro forte
Meio-dia não sejas triste
A bússola não sei se existe
E o plano talvez aborte

Nem guerra, bairro ou corte
É a pronúncia do Norte

É um prenúncio de morte
Corre um rio para o mar

Não tenho barqueiro nem hei-de remar
Procuro caminho novos para andar
Tolheste os ramos onde pousavam
Da Geada as pérolas as fontes secaram

Corre um rio para o mar
E há um prenúncio de morte

E as teias que vidram nas janelas
esperam um barco parecido com elas
Não tenho barqueiro nem hei-de remar
Procuro caminhos novos para andar

E é a pronúncia do Norte
Corre um rio para o mar

E as teias que vidram nas janelas
esperam um barco parecido com elas
Não tenho barqueiro nem hei-de remar
Procuro caminhos novos para andar

E é a pronúncia do Norte
Corre um rio para o mar"

Pronúncia do Norte
GNR e Isabel Silvestre



Esta é a música dos GNR que mais gosto. Arrepia-me profundamente ouvi-la.

Sinto-a nas minhas entranhas. Atenuada, por força da modernidade ("novos ricos são má sorte"), ainda consigo senti-la na ruralidade do local onde vivo. Espelha a forma muito nortenha (tão trágica e acomodada) de percepção da realidade. Quando passo na rua vejo este fado nos olhares envergonhados, nas críticas caladas, na religiosidade do lenço negro, nas rugas cansadas de uma vida ingrata e cansada do próprio tempo.

É uma pronúncia polivalente e envergonhada, densa mas dispersa, tendo tanto de fatal como de anímica. Dinâmica e versátil, como o próprio povo que a expressa. Original como a cultura que a circunscreve. Escrava de si mesma como o reflexo do espelho.

Gosto de ser do Norte.
Gosto de ser português.
Gosto de escrever na língua que penso.

Sem mais,
Luís Gonçalves Ferreira

1 comentário:

  1. E "BIBA" o Norte, carago!

    :DD

    É como tu dizes, tanto se aplica aos tempos modernos de cidades que nunca param e onde a juventude é dinâmica, como à antiga maneira de ser portuguesa, da ruralidade de outros tempos, que teima em ficar.



    Beijo!

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