sábado, 25 de abril de 2009

Viver e Acreditar por Abril

E Depois do Adeus
Paulo de Carvalho


Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder


Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci

E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...

E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós.
José Niza

Todo o saber sobre o processo revolucionário português chega, às novas gerações, pelos livros. Eu faço parte desse magote. Não a vivi em corpo. Vivo-a, todos os anos, em alma, com uma alegria cândida e genuína. Eu sinto-me livre respirando (e degustando) liberdade.

Porém, sinto medo. Os portugueses não têm, entre estes dias (os mais pessimista diriam 'nunca têm'), alegria de viver a Liberdade. A História coloca as crises como "condição para" os grandes revezes políticos. Existem opções e aproximações ideológicas perigosas. Assusta-me conjecturar os caminhos que a política portuguesa poderá tomar.
Temo que esta nova geração - a da UE, Chocapic, Democrática, post-Revolução -, de que eu faço parte, já não consiga acreditar em Abril.

Como ouvi, há um ano, aqui - 25 de Abril sempre. Fascismo nunca mais!

Sem mais,
Luís Gonçalves Ferreira

4 comentários:

  1. Pois que eu tenho um medo semelhante ao teu!

    Que Abril dure para sempre...

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  2. Uma interessante reflexão...

    Embora eu fosse uma criança nao fazia a mínima do que se passava...

    E esta musica que deixas do Cirque du Soleil continua a assaltar-me;)

    aquele abraço

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  3. Olha, fui citada!!
    :)
    Acredita que também eu tenho medo. Muito medo.
    Sobretduo das memórias curtas de quem, despudoradamente, me vem com aquilo do "antigamente é que era bom".

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  4. Eu temo não acreditar em Abril.
    Ultimamente, quando ligo a televisão, vejo o "mundo" cada vez pior: a crise, a educação, a violência, a desigualdade... cada vez me questiono mais de quem será a culpa. Será dos governos? dos educadores? das pessoas em geral? Nunca cheguei a conclusão nenhuma mas também não percebo (quase) nada do assunto para "mandar postas de pescada para o ar".


    As tuas músicas são sempre fantásticas Luis.
    Podes chamar como quiseres ou como te der mais jeito :P

    Beijinhoo

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