sexta-feira, 3 de julho de 2009

A renúncia de Maria João Pires

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Estou farto de viver num país que despreza, espezinha e mal-trata, dia-a-dia, a cultura e as suas gentes. Estou cansado de viver num país que se sente magoado, sem nunca pensar que outrora magoou, tratando com a indiferença de não achar coisa alguma. Envergonho-me de um país no qual o poder político, à imagem das gentes lhe dão razão de existir, não reconhece o papel angular da Educação e da Cultura na formação individual e social.

Maria João Pires, uma das melhores pianistas contemporâneas, renunciou à nacionalidade portuguesa. Esta é, essencialmente, uma renúncia política. Como Saramago e António Damásio, Maria João não conseguiu arranjar o espaço que merecia no seu país.

Se se perguntar, por esse país afora,: "Quem é Maria João Pires?" Poucos saberão. Daí que esta notícia não manche de vergonha as consciências imaculadas dos que esboçam os orçamentos miseráveis do Ministério da Cultura. Daí que, de hoje em diante, Maria João Pires seja, vergonhosamente, uma pianista brasileira.

Portugal está manifestamente pobre. Acima de tudo, espiritualmente.
Encaremo-nos como um país manifestamente inculto.



Sem mais,
Luís Gonçalves Ferreira

2 comentários:

  1. Desgosta, não é?
    É como levar uma tampa de alguém de quem se gosta, ainda que sabendo que terá mil e uma razões para no-la dar.
    Estamos a ficar minúsculos... :(

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  2. AnAndrade - Se desgosta! Hoje, aquando da recepção da notícia, fiquei com uma raiva enorme. Apeticia-me esquece este vasculho em que nos estamos a tornar enquanto sociedade. Estamos a ficar minúsculos e pobres, muito pobres. É a decadência deste Portugal.
    Um Beijo

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