terça-feira, 28 de julho de 2009

Uma coisa sem sentido

Apetecia-me fugir, velozmente, contigo no peito. Morávamos num quartinho qualquer, mas estarias sempre comigo. Faríamos uma promessa boba de amor-eterno, e eu juraria enclausurar-te na minha abadia sentimental. Ora tocariam os sinos, ora trincava-se o trigo e joio. Ceifávamos os episódios maus com coragem de leão. Frequentaríamos os sonhos mútuos, e os projectos singulares de cada um. Tu morrerias para os teus, e eu para os meus. Seriamos só os dois. Com um violino de orquestra, estaríamos em uníssono neste chinfrim terrestre. Guarde-te-ia sempre no peito. Fá-lo-ia se o tempo não trouxesse as surpresas e os desesperos matinais. Eu não gosto de acordar cedo. Os sonhos são pesados e os pesadelos leves. Estou farto deste faz-de-conta e desta estória de meninos. Vamos ser crescidos e morrer um para outro.

Rompimento. Rompemos com o mundo, como o nosso Mundo. Nos filmes os vilões e os finais tristes vendem muito mais. Facturemos 100 milhões de €uros numa bilheteira qualquer. Ricos, felizes, mas um sem o outro. Volta-e-meia, voltaremos a ser amantes, mas só para outro filme de Inverno. Não te quero. Nunca te quis. Aliás, é a carteira que chama por ti. O coração, esse vagabundo, está lacrado com tinta chinesa empastada em acrílico de cetim.

Devaneios. Simples alucinações. São os cogumelos!

Sem mais,
Luís Gonçalves Ferreira

3 comentários:

  1. Eh la, Luis. Grande pérola literária. Esmeraste-te.

    Gostei muito.

    Abraço

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  2. "Ceifávamos os episódios maus com coragem de leão."
    Que texto :O

    Quanto aos cogumelos, se te fazem escrever assim não os largues XD

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