segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A tranfiguração do comum

Por momentos apetecia-me ser outra pessoa. Não, não era uma só pessoa. Queria subdividir-me em inúmeros espíritos, incontáveis corpos e infindáveis experiências. Acho que não sofreria metade do que sofro, pois conheceria múltiplas coisas, e, por consequência, saberia lidar melhor com os sentimentos. Sou saudosista, sempre admiti. Conhecer de mais e os demais talvez abrandasse esse passado frenético, na minha cabeça. Muitos “eus” abarcariam mais espaço para tornar infindáveis os bons momentos. Seria uma espécie de transfiguração bíblica, mas sem Tabor. O local seria o meu interior e o tempo não seria nada. Não haveria Elias, nem Moisés, mas existiriam aqueles que não crêem e passam a acreditar, ou os que, crendo, aumenta bravamente a sua crença pela força da experiência. Não haveria Messias, mas uma vida completamente arrebatada por olhares novos, esbranquiçados por esse frenesim boreal que é a novidade.
Na contemporaneidade científica, social, do senso comum, presumiriam, por esta descrição, que tenho uma doença mental. Na pele do poeta chamam-lhe de heteronímia. Não sei se Jesus era doente mental ou se praticava heteronímia. Sei que era especial, inovador e criativo (ou a História assim o “transfigurou”).
A via da multiplicação seria o modo de me tornar útil a mim mesmo e aos outros. Daí que, a certa altura, me eleve a pensar nestas coisas.

Sem mais,
Luís Gonçalves Ferreira

2 comentários:

  1. Gostei tanto (:
    sabes, as vezes acho que sou parecida contigo, porque quero e sinto o mesmo.

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