terça-feira, 27 de outubro de 2009

Dor estranha

Esta coisa estranha é difícil de suportar. É como uma rocha que cai num mar de nada, que traz ondas e precipício, mas que não tem aparente força motriz. Estranho é quando queremos animação e nada nos corre bem. Estranho é quando queremos sorrir e temos que o fazer falsamente. Estranho tem de seu nome tristeza, mas custa menos quando lhe mudo o nome. Ando às voltas com a inspiração e nada me acontece. Queria ter forças para agarrar as oportunidades mas preencho-me de um medo que parece satisfazer. Desespero e angústia, é isto que sinto. É um desesperar sem grito nem berro, uma angústia com sorriso, um triste indefinido. Ainda ao bocado rejeitei uma ida à casa d'Ele e estou a penar espiritualmente por isso. São baboseiras que escrevo e um projecto que está a começar. Coisa sem nexo, por certo. Tão agreste como o amor sem sexo ou um desleixo cuidado. Cansado estou, não corporalmente mas espiritualmente. É dor difícil de sarar.

Luís Gonçalves Ferreira

3 comentários:

  1. Eu, que não percebo puto de Psicologia, sinto-me atraída pelos processos cognitivos que vão dentro da(s) gente(s). E sei, por experiência própria, que, pese embora não se explique, essa dor estranha é como que uma força avassaladora que nos puxa para baixo, corpo e mente num só. Até os cantos da boca descaem, inadvertidamente. O segredo, estou certa, é esse: racionalizar e, quando for possível, reagir.
    Como diz o avô A., a seguir a uma descida vem sempre uma subida. E, digam lá os senhores entendidos em estados d'alma o que disserem, o avô A. tem sempre razão.
    Força!!

    Beijoooo.

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  2. «Estranho é quando queremos sorrir e temos que o fazer falsamente».

    dor não mata mas mói e devora. *

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