terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Silêncio do sonho

Quieto, frio e roxo. Mexo o cadáver. Está vivo só porque respira e expira. A morte vem-lhe de dentro para fora, onde os suspiros não são com a boca, mas antes com o coração.  Os dedos mexem, os tímpanos ouvem, o nariz percebe e a boca sente. Os olhos, em baratos movimentos, respiram um pesadelo. Os braços começam a mexer. As pernas tremem. O ritmo cardio-respiratório vibra e mexe e é intenso. A energia negativa do cérebro toma conta da mente, deixando-a amarrada, com os ferros dos neurónios, ao sonho profundo. A luta continua e o tempo colapsa. A consciência despertara de forma crua e nua, sem respeito pela pessoa que fora, por breves instantes, na sua mente. Os sentidos do mundo verdadeiro despertam. O cérebro apaga a informação excedente, para mais tarde, no calor de uma conversar, permitir um falso desabafo.  O sexto sentido dá mais às mulheres que aos homens. Sonhadoras por natureza, elas sabem mais dos outros do que os homens, por energias metafísicas e hormonais. É a sensibilidade ao sonho enquanto processo cognitivo... Amanhã, ao acordar, não sei se me lembro do corpo cadavérico que fui, em cima da cama, esta noite.


Silêncio. O maestro vai dormir para que a orquestra possa tocar livremente, sem as correntes da razão que a pauta e a vara têm...
Luís Gonçalves Ferreira

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