domingo, 3 de janeiro de 2010

Acerca do amor*

O amor tem nuances e sentidos. Variar do preto sujo ao branco limpo é coisa da cabeça de cada um. Para mim o amor de amante é mau, suja e polui os bons sentimentos. Em exagero não remedeia nada, apenas mutila os outros sentimentos. É um amor de dependência, cada vez menos sem confiança. Acho que nos casamentos de 50 anos não há o amor puro, mas talvez um estádio maior, evoluído, onde a companhia e o respeito agigantam-se perante a frivolidade do sexo ou dos presentes materiais. Critico muito o viver os problemas, as dores e as mezinhas dos outros. É um viver a meio-gás. Já por isso se diz, lá nos canotilhos do Direito, que o Casamento limita o exercício de direito. É por certo uma analogia ao amor de amante.

O amor de amigo e da família é bom e cura quase tudo.  É diferente do primeiro, porque não tem aquele pendor egoísta que o amor de amante tem. O cobrar sem mais não funciona, como regra, nos segundos campos do acto de amar. Podem existir afastamentos de anos ou quilómetros, mas quando o outro volta está tudo igual. No amor de amante, uma ida a Macau ou a Paris pode ser decisiva para o rompimento dessas coisa que se achava tão bela e cor-de-rosa. É o fervor da carne e da paixão a comandar os imperativos do coração e da mente. O respeito engaveta-se numa minúscula gaveta de egoísmo, irresponsabilidade e mentira.

Não sou mal amado, apenas consciente e racional. Mesmo assim, continuo incessantemente a amar, como se não existisse amanhã. Masoquismo? Sim. É o granu salis do Homem, onde o amor-próprio e o respeito mútuo são os primeiros valores da minha hierarquia.

Sem mais,
Luís Gonçalves Ferreira

* Este texto surgiu de um comentário feito neste local.

4 comentários:

  1. E de um maravilhoso comentário, um post se fez! Fiquei feliz com isso, Luís! Feliz também em ver que não só disse que foi um comentário, como linkou minha página.

    Abraço, meu caro!

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  2. Tu sabes como defender a tua opinião, e isso é ponto um da tua personalidade.
    Concordo em parte do que disseste, mas quanto a matar por amor não concordo, pode ser por um desejo de posse obecessiva e isso não é saúdavel, ou por amor doentio. Mas em que parte se encontra aí o verdadeiro amor?

    Não se encontra!

    Respeito tudo que dizes, e li cada palavra tua com a maior atenção. Mas a vida e os encontros são feitos disto mesmo: sim(s) e não(s) :)

    Beijinho Luis, e ama ao teu geito, porque mais certo ou mais errado...é o mais importante!

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  3. Peço desculpa, pronunciei-me mal. Sei bem que não serias capaz de ser a favor de matar com a justificação de que foi por amor. Tentaste apenas fazer-me ver que talvéz não sejas um acto tão repugnante como eu pensei e penso.

    Obrigada :)

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  4. Não há amor verdadeiro sem generosidade. Não a generosidade de dar, mas a de aceitar. Raramente aceitamos o Outro pelo que ele é, mas pelo que ele nos faz sentir. Isso não é generosidade, logo, não é amor.
    Gostei muito deste texto, mesmo.

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