sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Fricção

Vou-te contar um segredo. Só um. Espero que percebas e que não critiques. O que te vou dizer é uma verdade que escondo desde que a descobri, não me desprezes. Tenho medo do que vais dizer. Tenho receio da tua censura quando souberes. Olha, fixa-me os olhos. Não te esqueças que sou eu, agora, e serei eu depois da revelação. Guarda dentro de ti os meus traços. Vai buscar cordas. Traz cordas. (Vieram as cordas). Une os nossos corpos. Com força. Até estrangular a nossa pele. Quero que não fujas quando eu te disser o segredo. Não te quero perder. É melhor jogar pelo seguro. Chega-te a mim. Mais. Encosta-te o teu coração ao meu. Estás pronta. Eu sinto a tua respiração. Sente o meu corpo e vê o que ele tem. Não quero que duvides do que sou depois do que tenho para te contar. Somos amigos, não somos? Jura-me. Promete-me. Não me mintas. É agora que a verdade acontece, porque é agora que os nossos corações batem juntos. Queres saber a verdade? Sei que sim. O teu sangue fervilha, os neurónios estão excitados de curiosidade. Os lábios tremem de medo. Tens medo de ti? De mim? Tens medo? Eu vou-te contar o meu segredo... Chega te reticências. (Sussurrou ao ouvido) E ele disse: Eu tinha medo de morrer sem que te tivesse tido inteiramente amarrada a mim.

Luís Gonçalves Ferreira

7 comentários:

  1. Ai, que texto lindo! E eu fui lendo, lendo, e ficando cada vez mais curiosa! Pensei que ele ia pregar-lhe uma peça, pensei também que ia dizer que a ama, ou que faria uma séria confissão... Gostei tanto!

    Lindo, lindo, Luís!

    Abraços.

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  2. adorei. e gosto muito da imagem do blog! :) *

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  3. Dos melhores que li ultimamente Luís. Teu e arredores :) *

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  4. Ah, quanta paixão! Eu vejo paixão aí. Essa coisa de "amarrada em mim"... rs! Gostei muito, aliás, o ritmo é tocante, ao ler, deixamos nos embalar, parece que ouço os movimentos. Você escreve muito bem, coloca as palavras no seu devido lugar.

    Um beijãooo grandãooo! :)

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  5. Li aqui neste blog, há já algum tempo, que preferias comentários que de facto tivessem essência... Que não fossem tentativas frustradas de conseguir comentários, e que não comentassem coisas que sabias que provavelmente não sentiam. Tenho sido leitora assídua do teu blog, e não tenho comentado porque realmente não acho que fique nada por dizer, mas hoje tinha de comentar alguma coisa. Tinha de dizer que é um dos textos mais bonitos que já alguma vez li.

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