quarta-feira, 24 de março de 2010

Bochechas verdes

Só se fala de amor. Ama-se de mais. Ou melhor, ama-se pela boca em excesso. Só falam de amor. Uma roda na blogosfera e é só amor. Amor e mais amor. Não se vê mais nada? Nenhum outro sentimento? Bem eu disse que há milhões de vidas mortas. Perdem-se a falar. É por isto que cada vez mais desconfio dele. Do de amante, que é do que se fala mais. Estou enjoado. Muito nauseado. Ou é do excesso ou é por defeito. Vou tentar descobrir. Até lá, vomito amor pelo que leio. Depois ainda me chamam reaccionário. Como alguém pode passar por isto e não se queixar? Tanta coisa para pensar e só se fala de amor. O país está de tanga, a crise é real, há fome, pobreza, riqueza excessiva, cangaceiros que sobrem, jornais aos montes (que ninguém lê, desconfio), milhões de páginas de internet, e só se fala de amor. Amor ora está frito, ou cozido ou grelhado ou guisado. Mas é sempre amor de amante. Fatal. Pobre de sorriso. Sofrido. Está por todo o lado. Ainda dizem que as pessoas não sentem. Sentem. E de mais.
O mais engraçado: Os meus últimos dois textos são sobre amor. Estarei contaminado?
Luís Gonçalves Ferreira

12 comentários:

  1. Homem cada um escreve sobre o que quer, e quem não quiser ler sobre o amor fecha a janela. E sim, há textos que fartam muito, e tu sabes que eu nem costumo escrever sobre amor bonito-e-cor-de-rosa, nem sobre porra-estou-mesmo-triste-por-amor, mas compreendo que doa, e acredito que custe, e acredito que ao escrevermos a dor desaparece um bocadinho, só um bocadinho.

    E só por causa disto, hoje vou-te escrever uma carta de amor e vou-ta ler antes de adormeceres no sofá, todo babado. És um badalhoco mas eu gosto muito de ti.

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  2. Tu gostas de mim quando eu sou uma besta autêntica, confessa!

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  3. Tanto se fala (e sim eu falo porque me faz bem faze-lo, e aí está a raiz de tudo) mas também tanto se omite e se guarda bem trancado. E isso sim é preocupante Luis. Não o que sai em demasia.


    E fala também o quanto te aptecer o quanto sentires. Porque como custumam dizer "um dia pode ser tarde".

    Um grande beijo.

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  4. Obrigada Luis por não deixares "isto" cair em esquecimento.
    Por vezes nem damos conta de que parar e olhar a nossa volta é o mais importante!

    Porta-te bem (:

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  5. Adorei este teu texto!!! E sim, isto contamina. É mesmo uma pandemia. Beijinho

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  6. Olá Luís.
    Acho que a culpa talvez possa ser da Primavera que acaba de chegar. Embora no Inverno, talvez pelo romantismo das luzes, o fumo que sai dentro dos corpos por causa da diferença de temperatura, e a necessidade de se aquecerem, também encontres muito amor por todo o lado. Podemos alegar, no entanto, que também no Verão, por ser tempo de loucura e de alegria a uma escala enorme, e por causa do calor, e da praia, e das hormonas aos saltos, tudo aquilo em que se pensa é o amor.
    Cá para mim, acho que quanto mais nos "distanciarmos" do amor, mais o conseguimos viver quando ele vem, de facto, ter connosco. Como alguém que se pinta todos os dias, e alguém que se pinta só em dias de festa. Só faz diferença se sair do normal. E por isso não falemos tanto de amor, e amemos melhor.

    (desculpa o meu comentário confuso)

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  7. Ana Paixão - Eu amo a tua cadelice. :) Beijo

    Pés de Bailarina - Fala-se muito de amor, mas duvido que se fale verdadeiramente do que importa. Hoje fabricam-se elogios e coisas na cabeça das pessoas. Ninguém se ama a si mesmo, mas ousa tentar amar os outros. Há qualquer coisa que não bate certo no meio disto tudo. Mas é bom reflectir sobre. É um avanço. Beijinho

    Francisca - Precisamente, Francisca. Fala-se muito de amor, mas sente-se pouco, parece-me. E depois acrescenta-se aquilo já disse aqui em cima: Fala-se muito, sente-se pouco e não se sabe muito bem o que é amor, porque não existe amor-próprio. Acho que o amor verdadeiro é o colectivo, aquele que te permite amar com o coração mesmo as pessoas que não conheces. É um amor feito de gestos sinceros de altruísmo. Só se centram no de amante e perdem-se. Hoje apeteceu-me tentar alertar a blogosfera. Beijo!

    DiCarneiro - Daqui a nada isto é uma espécie de pessoas no país virtual das maravilhas, tamanha é a diferença entre o amor vivido e aquilo que se escreve. Beijinho :)

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  8. Só se fala de amor porque o amor banalizou-se!
    Ja nao é o que era... O amor, era aquela coisa que se sonhava em se encontrar uma vez na vida.
    Agora diz-se um Amo-te de uma forma arrepiante e banal que deita a importancia deste sentimento abaixo aos olhos do mundo, a cada dia que passa.

    Beijinhoos*

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  9. Realmente existem varias outras coisas a falar a pensar e até a amar, não se deve amar puramente o amor, mas talvez esse sentimento confuso onde não se descreve tenha em sua essência um vírus contagioso que nós deixa a falar, a pensar, e a escrever apenas sobre amor....
    mas talvez quem ame de verdade saiba falar do que acontece no mundo e pode se preocupar com os problemas reais...

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  10. Sabes o que te digo? Ainda bem que ainda se fala de amor. Seja ou não verdadeiramente sentido, seja idealizado ou concretizado, seja sofrido ou apaixonado, fale-se de amor.
    A ver se eu compreendo o que isso é... ;)

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  11. Não faz parte um bocado da raça humana?

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