quinta-feira, 11 de março de 2010

Falar calado

As integrações forçadas em meios estranhos sempre me abespinharam. O ambiente em que me desenvolvo, dia-a-dia, feito de pessoas, revela mais de mim do que um texto auto-crítico de 100 páginas. Não mudar facilmente de companhia, de espaços, é basicamente um traço da minha personalidade: Eu gosto de segurança, estabilidade e algumas certezas. É um estado psicológico que faz, aos olhos nus dos outros, uma transfiguração da minha verdadeira personalidade. É o conhecimento que me revela. E só me revelo quando me encontro entre gargalhadas e assuntos sérios. Já abandonei as preocupações com os olhares dos outros. Peço, constantemente, sem falar, para que não me forcem a ser o que não. É um pedir calado. É uma solicitação feita de silêncio e mudez. Por isso, já sabem: Quando estou desconfortável estou calado. Todos os que convivem comigo, na extroversão de quem conhece, penso que já sabem isto. São duas fases: O Silêncio, feito de observação, medidas e prestações; A gargalhada, feita de à-vontade, com direito a menos medidas e mais prestações. Acho que só me conhece verdadeiramente quem já me tiver provado com dois sabores.

Luís Gonçalves Ferreira

2 comentários:

  1. As palavras não ditas são por demais eloquentes.
    Como tu, gosto do meu chão: dos amigos e sítios de sempre. Não nego a novidade mas também eu levo o meu tempo a adaptar-me.
    Já não me lembro das tuas gargalhadas mas recordo o teu silêncio, num olhar farto de frases.

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  2. Pois você é transparente, Luís. Não sei nem se sabe o quanto é. E por assim ser, conhecer você é fácil para aqueles que dão a atenção necessária ao que os rodeia, a quem os rodeia. Conhecer alguém apenas virtualmente foge aos padrões, mas é perfeitamente possível quando ambos se dispoem. E você sempre se dispoe, e isso me admira.

    Abraços, amigo Luís!!

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