segunda-feira, 5 de abril de 2010

Hoje, deixo-vos, silenciosamente, um poema.

Análise
Tão ABSTRACTA é a ideia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a ideia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.
Fernando Pessoa, 12-1911


6 comentários:

  1. Bonito Luis, para quem retirar dele o que ele esconde.

    Obrigada pelas "Boas-Vindas" (:
    Um grande beijo e espero que a tua Pascoa tenha sido boa a minha foi o abitual, familia e uns pecados de chocolate pelo meio (;!

    ResponderEliminar
  2. Pois, no meu caso não é por falta de tempo, é mesmo por falta de paciência. Enfim, isto recupera-se :p
    Boa sorte com isso, hein!?
    Beijinhos! *

    ResponderEliminar
  3. Um escrutínio interior que, de tão indagador, se perde na procura de um sentido que não há. Um poema "silenciosamente" belo...

    ResponderEliminar
  4. Belo poema....
    e belo também o novo aspecto deste teu tão agradável espaço!
    Abraço*

    ResponderEliminar
  5. :) sem palavras. mas com muitas emoções !
    Beijo Luizinho :O

    ResponderEliminar

Vá comenta! Sem medo. Sem receio. Com pré-conceitos, sal e pimenta!