sábado, 3 de julho de 2010

Carta Aberta II

Deus, queria pedir-te uma coisa, mas não posso falar muito alto. Queria pedir-te uma coisa, mas não sei por onde começar... Deixei de rezar todas as noites. Deixei de ir ter contigo à tua casa, Deus. Acho que te abandonei, lá longe, no dia em que a racionalidade tomou conta dos meus braços, dos meus olhos e dos meus ouvidos. Deus, não digo que crer em ti seja irracional. Não. Não é isso. Existem coisas, porém, que nos fazem repensar a tua concreta existência. Mas eu sinto-te, sabes, Deus. Eu sei. Eu sinto. Podes não ser velho nem ter barbas brancas. Podes ter uma forma qualquer ou ser  um Ser sem forma. Podes ser todos os que conheço ou nada que eu já vi. Mas és. Alguma coisa. Eu sinto-te. Aqui. No meio. A acompanhar isto tudo. Os tolos dos homens deixam os filhos escrevem cartas ao Pai Natal, mas não querem que te escreva. Mesmo assim, fi-lo. E fá-lo-ei sempre. Eu sei que isto é tudo obra tua para me ensinares alguma coisa. 
 Deus, posso-te, agora, pedir o que me trouxe aqui?  Posso? (Aqui vai) Deixas-me ser criança outra vez, como já fui, e devolves-me o colo inocente para eu chorar tudo o que preciso? 
Acho que já me deste, Deus. E eu não sei lidar com isso, porque estou inseguro. Dá-me sapiência, inteligência e clarividência. Provavelmente, é isto que falta para completar o colo que gentilmente me devolveste. 

Luís Gonçalves Ferreira

4 comentários:

  1. mesmo bonito =) ser criança é sempre mais fácil.

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  2. Perde o medo de abraçar, de amar, de dizeres tudo que sentes a quem quer que seja.
    Sem medo, podemos errar e cair mas temos a certeza de que tudo foi feito!
    Força e quando encontrares o colo de que sentes saudade dá-lhe o teu abraço.

    Estou aqui e continuarei aqui Luis:)
    Francisca*

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  3. Cabe a nós decidir se queremos ou não ter um pouco da alma de criança, inocentes e felizes, inconscientes.

    Beijinho*

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  4. Era realmente bom, se pudessemos volta à inocência.

    David

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