sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Viagem do Elefante - a minha passagem

Conta-se na página setenta e três do livro Viagem do Elefante, de José Saramago, a seguinte soma de letras feitas filosofia e profundidade relativa. É a passagem que mais gosto do livro:
"Se chego a viena, não volto mais, Não regressa à índia, perguntou o comandante, Já não sou indiano, Em todo o caso pareces saber muito, Mais ou menos, meu comandante, Porquê, Porque tudo isto são palavras, e só palavras, fora das palavras não há nada, Ganeixa é uma palavra, perguntou o comandante, Sim, uma palavra que, como todas as mais, só por outras palavras poderá ser explicada, mas, como as palavras que tentaram explicar, quer tenham conseguido fazê-lo ou não, terão, por sua vez, de ser explicadas, o nosso discurso avançará sem rumo, alternará, como por maldição, o errado como certo, sem se dar conta do que está bem e do que está mal (...)"
O que vos diz este excerto?

Luís Gonçalves Ferreira

2 comentários:

  1. A mim diz-me que por vezes sentir é melhor do que poder falar ou ouvir as, tais, palavras. São só palavras, nada mais que palavras. Tudo o que poderei dizer mais é uma completa idiotice...

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  2. Eu cá penso que as palavras são tudo.
    Não há ser-com-os-outros sem palavras.
    Por mais que elas sejam nuas. Porque, sendo-o, só espelham a nudez de/em nós.
    O bem e o mal são palavras e é com palavras que os dizemos, os negamos, os definimos, os discutimos.
    Nós somos palavras. Só nos pensamos por meio delas. E eu gosto disso porque gosto de palavras.
    Já o outro senhor dizia para guardarmos silêncio sobre o que não conhecemos. Porque o que não podemos expressar, não existe em/para nós.
    Gosto muito de palavras. E do que elas formam.

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