sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Confesso:

Procurei-te, vezes sem conta, na memória, e não te encontrei. Nunca havia acontecido algo parecido em mim.
Achei-te, tantas vezes, nas gavetas dos sonhos, onde nem a memória manda. E voltei a procurar, porque, ao acordar, perdia-te, vagamente, numa fumaça incrível.... E instável, pois mais tarde adormecia e logo te encontrava.
Encontrei-te, finalmente, na realidade. Nem queria crer. Pensei que era um sonho e tentei acordar. Não consegui. Tornei o sonho matéria, recebi uma dádiva, e deixei-te fugir, outra vez.
Agora, não tenho desculpa. Não posso culpar o sonho e a sua finitude. Deixei fugir o que fui incapaz de agarrar. Foi simples.
Os sonhos deixam-se porque nos ultrapassa, tecnicamente, a tarefa de os agarrar. A ti, perdi-te, como vou perdendo, por razões como aquelas que acordam os sonhos: Pouco claras e profundamente inexplicáveis.
Tive hoje uma recaída. E, enquanto assim for, não vou conseguir seguir em frente.

Luís Gonçalves Ferreira

2 comentários:

  1. adorei querido , está simplesmente lindo e bem profundo .

    Beijinho *

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  2. Gosto muito de te "visitar", mas devo dizer, que Florence and the machine, por mais que goste das suas musicas, não posso deixar de concordar, que é mais um produto de markting, de repente, não se ouvia outra coisa este verão!!! E porque é que te falo nisto, neste post???
    Porque confesso o quanto gosto das letras deste "produto" fabricado para o verão que já lá foi...

    Confesso, assim como tb confesso, que um dia disseram-me... "não sonhes, pois se o fizeres, deixas de aproveitar o momento" não é quem o disse até tem razão, é caso para dizer... Vale a pena pensar nisto...

    Abraço-te

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