quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Folhas de papel carmim

Nas páginas do livro da tua pele senti que estava, como nunca, muito perto das tuas memórias.  Percebi que era teu, mas outros já o foram. E percebi, loucamente, que estavas só comigo, agora. Percorri-te, em descanso, como numa pausa de um suspiro... Senti que eras minha, num todo, por momentos. Foi perfeito por que a perfeição eras tu... Foi mágico, meu amor, porque a magia eras tu. Imaginei-te, vezes sem conta, nas páginas de outros livros que fui percorrendo com os dedos, com os olhos, com o coração... Senti, coração, que não te podia perder, porque era tudo muito forte. Estavas aí, junto de mim, com a pele junto da minha... com os olhos colados nos meus... O teu cheiro de lavanda. O teu perfume carmim que era o teu cabelo. Afaguei-te o peito, outrora só. Acariciei-te os sonhos como se fossem meus. Percebi-te como se me olhasse ao espelho. Entendi-te como se folheasse o livro... Eras um quadro, intocável, como os anéis de uma farta vitrina. Eras angelical, como as asas que te nasciam das palavras, leves, límpidas, com o a alma que carregava contigo. Estavas, para sempre, na janela do meu quarto, a escutar-me, a observar-me, a sentir-me. Dificilmente me desamarrarei de ti facilmente. Dificilmente serei de outro corpo e de outro espírito. Dificilmente serei feliz sem ti. E fui, calmamente, em mais um debater das folhas do livro da tua vida...

Luís Gonçalves Ferreira

2 comentários:

  1. Amei o que escreveste e a forma como me fizeste visualizar cada palavra.
    Beijinhos* x')

    ResponderEliminar

Vá comenta! Sem medo. Sem receio. Com pré-conceitos, sal e pimenta!