quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Suspiro quente

Tenho saudades de planear mensagens e de fazer pesquisas para as tornar perfeitas. Tenho saudades da vitalidade de outros tempos. Tenho saudades de mim, enquadrado, como noutras alturas. Ter saudades não basta. Sentir desespero quando não sei o que é espelho também não. É uma sombra enorme que me persegue. É uma mácula imensa que está aqui, no peito, como na testa de Caim. Apetece-me ganhar forças e mostrar o Luís incrível doutros tempos. Apetece-me ser feliz em todos os quadrantes. Apetece-me voltar a chorar solitariamente para nunca, mas nunca, me apresentar triste aos outros. Queria fechar os olhos e não perder o norte aos meus sonhos. Queria dormir e não perder forças, dia-a-dia, como tem acontecido. 
Esqueci-me que sonhei ser grande. Esqueci-me que sonhei ser um grande projecto. Esqueci-me do valor da família. Esqueci-me do valor de Deus. Esqueci-me que tenho energias fantásticas. Esqueci-me que é absolutamente estúpido sofrer por amor. Esqueci-me como era incrivelmente deprimente percorrer a blogosfera e encontrá-lo aos molhos, em depressão.  Esqueci-me que criticava paranormalismos, idolatrias vãs e coisas afins. Esqueci-me de mim. Tornei-me em coisas que nem queria ser.  A vida ensina-nos coisas, em capítulos, e mostrou-me partes que sempre neguei. Sofri de mais no plano relacional com mundo para merecer mais isto, esta fustigação que cresce, como um chicote, no cérebro. Tenho medo deste bloqueio e de não me erguer mais.
Provavelmente, nada mais faz sentido na vida que eu me teimo a colar. Provavelmente, chegou a hora de olhar para as coisas como diferentes e lidar com elas, assim, como são na verdade. Não posso esquecer o que passei, numa outra mutação, lá longe, que marcou um outro reverso. É uma viagem que custa a fazer.
Apetece-me enterrar a cabeça e não a levantar mais. Isto consome-me todos os dias. A todas as horas. E não devia ser assim. Eu evito-me a vir aqui para não vos chatear. Perdi-me, caros leitores. E custa-me muito juntar os pedaços. 

Até sempre,
Luís Gonçalves Ferreira

1 comentário:

  1. (Depus a máscara e tornei a pô-la.
    Assim é melhor,
    Assim sem a máscara.
    E volto à personalidade como a um terminus de linha.)

    Para que conste, sempre considerei este um blog muito rico, com teses muito bem defendidas, com um nível superior. E os teus leitores haverão de atestar isto que acabei de dizer, com certeza. É uma pena que digas "até sempre".

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