quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Janela de força

Fui caminhando, sem fazer barulho, na direcção em que os sonhos eram prováveis. Fui, de mansinho, naquela direcção onde a luz nunca falhou. Agora, quando ia a caminho, em segurança, a luz apagou-se e os sonhos mudaram. Estou no centro do túnel. Entre a boca do destino. No coração do futuro. No tempo onde o tempo deveria contar mais que os prazeres fáceis. Estou cansado para voltar para trás... Estou cansado para seguir em frente. Mas sei que não posso ficar, aqui, no meio, sentado, à espera que as pessoas passem e me levem na brisa das suas costas. Apetecia-me planar ao fechar os olhos... E sair daqui para uma outra luz, noutro denso estado, fora daqui. 
Pertença vã. Carne fraca. Medo do escuro. Fome de ti. Sede de mim. Falta de abraços. De pessoas. De carinhos. Tristeza por dentro sedada por fora e adormecida numa meia-noite qualquer. Apetece-me dormir, na rosca que estes lençóis me fazem. Apetece-me fugir daqui com este conforto. Tenho vontade de respirar, com força, e sentir-me a destilar vida. Eu tenho receio... da luz que existe dentro de mim.
Tenho a minha janela de força a abrir-se aos poucos. Eu sinto...
Luís Gonçalves Ferreira

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