segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A sociologia das cores

Cresci com associações constantes ao universo das cores. Lembro-me, desde pequeno, perante um queixume, de a minha mãe me perguntar, em jeito de desvalorização: De que cor é... a fome? De que cor é... a felicidade? De que cor é... a tristeza? De que cor é... o frio? A fome era escura, provavelmente preta. A felicidade é luminosa, provavelmente cor-de-laranja. A tristeza? Era preta, lembro-me bem. O frio? Não, não é branco, era azul ciano.
Cresci, assim, na intensidade do preto e do branco. Da claridade de um azul ou de um amarelo. Da tristeza de um preto ou na temperatura de um vermelho. Como em tudo na vida, é a memória que nos trabalha o campo sentimental que todas as coisas têm. São as cores das pessoas, caros leitores, às quais me quero referir. As gentes que nos cruzam os braços, as pernas e empapam o coração têm cores. Como a fome ou a energia da felicidade, todas os seres significam tonalidades para nós. Provavelmente, nunca pensou nisto, tão-pouco. Desafio-o a fazê-lo. 
Que que cor és tu? Qual a cor que a tua família tem? E o amor, é vermelho como socialmente o "pintam"? E a paixão? E a emoção? E a música?
Lembra-te: A própria cor é símbolo de um pré-conceito. Ensinaram-te, desde pequeno, que isto tem este nome e aquilo outro qualquer.

Este blogue é verde, para mim. Verde-cáqui. É da cor da minha personalidade. Tem a cor que me faz transforma a escrita em algo novo e recreativo.

Luís Gonçalves Ferreira

2 comentários:

  1. Gostei tanto deste teu texto, está tão bonito e tão profundo, era tão bom se soubesses as respostas a essas perguntas.

    Beijinhos *

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  2. Há muito tempo que vejo o amor não de cor vermelha, mas sim branca. A paixão, essa sim, é da cor do glorioso. E eu... não consigo arranjar cor para mim.

    Belo texto :)
    Beijinho

    Francisca

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