Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010

Amor em carta

Mesmo que tente, não consigo descrever, em palavras, a maravilha que é o que sinto. O coração palpita inadvertidamente. Os olhos sorriem para os neo-meios de falar. O sorriso ganha asas, mesmo quando o estímulo é parco e o meio pobre. O meio, mesmo que simples, preenche-se de ti. O meio - do meu corpo -, o coração que roubaste, controla-me a mente, os pés, as mãos... os sonhos. 

Sem escolher, todos os caminhos me levam a ti. Todos: O veículo que cruzo na rua; O cheiro que se sinto, mesmo nunca te tendo cheirado; As vozes de lavanda que oiço; As mensagens que recebo.

Nestes dias, meu amor, os meus dias têm sido teus. É uma devoção brutal, quase total. É  uma dádiva a quem merece, feita do respeito que envias em cada embrulho de letras românticas cheias de ti... De nós.

Recebo-te, de braços abertos, no meu mundo. Sê bem-vindo. Reservei-te o melhor quarto, a melhor ementa e o melhor lugar na minha poltrona vermelho-escarlate. 

Dá-me a mão e... voemos juntos. Nas asas do nosso imenso amor.


27 de Dezembro de 2010,
Luís Gonçalves Ferreira

Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010

Passei toda a noite, sem dormir, vendo a figura dela.

Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.
ALBERTO CAEIRO
"Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela"

Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010

Um santo e feliz Natal a todos!

 Imagem by ~BK1LL3R

Luís Gonçalves Ferreira

São duas velas neste bolo.

Este blogue faz hoje, precisamente, dois anos. Lembro-me onde estava, como estava e o que me levou a criar este espaço. Lembro-me do tempo e do calor que sentia por ser  (quase) Natal. Recordo-me de tudo com saudade e com o profundo orgulho de chegar até cá, na vossa companhia. Como é lógico, aproveito, mais uma vez, para agradecer aos leitores a preferência e a companhia. E um brinde ao Suor de um rosto!

Profundamente grato,
Luís Gonçalves Ferreira

Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010

Quietude

Tenho saudades de quando, no calor do tempo, caminhávamos de mãos dadas. Tenho saudades de sentir que as nossas almas eram uma só e que, mesmo por tornado, o castelo ficaria intacto. Lembro-me de como sorria a olhar para ti. Era genuína a forma de te contemplar. Hoje a ferida está aberta por de mais. Tudo me deixa triste, porque a margem de erro diminuiu de tanto ser usada (e abusada). Hoje são como farpas que entram na pele e ferem ainda mais. Não sei até que ponto isto continua viável. Como se a amizade se pudesse avaliar assim... Está tudo fora do sítio e, eu, quieto, continuo à tua espera.

Luís Gonçalves Ferreira

Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010

21 anos


Os homens arranjaram forma de coordenar e orientar a vida dos seus pares medindo-a, chamado-lhe nomes e graduando-a em partes. Depois puseram-lhe legendas às partes e aos nomes e às medidas. Todos temos um nome em função da idade. E eu cresci com legendas, também. Não é só o tempo que tem epítetos. As pessoas também os têm.  Não há outra forma de nos entendermos senão pelos nomes que nos chamamos. Sei que existe amor onde eu chamo amor. Sei que existem pessoas onde tenho pessoas. Sei que existem amigos onde, um dia, como hoje, chamei de amigos. Construí e fui construído por uma família que, hoje, tem nomes. Os sentimentos, como as cores, têm nomes. E é um profundo sentimento de felicidade que me invade hoje. Felicidade e agradecimento.

Decidi, faz tempo, dedicar este dia às minhas memórias. Recordar quem merece e fez parte de mim não só no ano presente como em todos os outros que desfilaram em mim. São momentos e sorrisos e quadros que coloram o salão que sou hoje. 

E os textos que escrevo neste dia, porque são memória em si, são de balanços também. 2010 foi um ano medianamente positivo se considerado em termos gerais. Perdi o meu avô paterno, fisicamente, sem contudo o perder aqui, no coração, onde as pessoas são importantes. Perdi, também, num outro nível, algumas pessoas que achei serem relevantes. É a selecção natural, provavelmente. Recuperei deles o que melhor consegui e, por sobrevivência, segui em frente, depois de devidamente chorado o que havia a lamentar. Ganhei o grande amor da minha vida para o perder, a seguir, meses depois, com algumas culpas partilhas e outras tantas isoladas. Viro os 20 para os 21 com o mesmo amor no peito, agora minimizado e já com os olhos abertos na direcção da luz. Aproveitei as pessoas que mereciam e fui igual a mim mesmo, com os valores que me constroem por dentro e me valoram os passos e os sentidos e tudo o que com nomes os homens legendam. Visitei Barcelona em boa companhia e vim mais rico. Conheci Tenerife, com a família, e enriqueci-me mais um pouco. As pessoas têm o poder de nos darem mundos ao nosso mundo. Vi a Lady Gaga, como cereja em cima do bolo, que significa o grande caminho de libertação que, controversamente, tornou este atalho no caminho da vida num plano mais obscuro e negro, talvez. 

Eu, o de hoje, bebo dos nomes todos que conheci e das coisas novas que experimentei. Sou, paradoxalmente, o positivo que elevo e o negativo que me magoa. Não consigo caminhar sem me orgulhar de tudo o que fiz. Em tudo, como nos nomes, que se fazem de letras, existem substâncias mais belas, outras mais coloridas e umas amargas de agridoces que são. Não consigo ser insensato e deixar de desejar um ano muito melhor que este, o dos 20 anos, que agora largo, para trás. Não o largo, bem vistas as coisas. Transporto-o para o plano de uma nova página que, em bom termo, não é mais do que uma soma das páginas atrás. É a lógica dos números. Somam-se os números, como os anos, porque não largamos tudo aquilo que somámos. A soma é a lógica da vida: a equação perfeita de uma continuidade inevitável.

Parabéns a mim e Obrigado aos que me populam o coração e o amor que tenho para dar. 
Obrigado às pessoas que visitam este blogue que sempre são parte da soma que conta a minha felicidade.

Beijos e Abraços,
Luís Gonçalves Ferreira

Domingo, 12 de Dezembro de 2010

Lady Gaga - The Monster Ball Tour


Lady GaGa representa, no últimos dois anos, a instância mais libertadora com que me deparei até hoje. Fanatismo. Adolescência tardia. Chamem-lhe o quiserem, caros leitores. Ela, a artista - o ícone -, esteve comigo e com mais 18499 pessoas na noite de 10 de Dezembro. Fiquei numa segunda fila, a uns metros dela. Disse-nos as deixas ensaiadas e algumas espontâneas. Eu cantei-lhe o que consegui decorar nestes dois anos de convivência unilateral. Ela sobrevive, comigo, nas letras e do que elas significam para mim. Ela, de mim, não tem nada de físico nem de concreto. Não a vi atrás da artista, mas senti-lhe a aura. A energia. Aquilo que se chama química e se valora, unitariamente, em cada pessoa que se cruza com a outra.
Passei horas na fila. Levantei-me para o lá do cedo que todos os corpos suportam. Gritei. Berrei. Suei. E dei quase o tilt final antes de chegarmos, em conjunto, à verdadeira "The Monster Ball". Trago, aqui, na cabeça, junto ao peito, aquilo que de lá esperava trazer. Deixei, fechada, até à próxima, a aura e a luz que só ali consegui ter. 
Lady Gaga cantou, encantou e conquistou. 
10†12†2010 é, para sempre, uma data que faz parte de mim. 
I left my head and my heart on the dancefloor.

Luís Gonçalves Ferreira

Sábado, 4 de Dezembro de 2010

Rasteira

E quando o sol parece brilhar vem alguma coisa e faz-nos uma rasteira. A realidade caiu-me em cima, mais uma vez. Sinceramente, estou cansado de lutar para sair desta teia. 

Faltam 6 dias para dia 10 de Dezembro.

Luís Gonçalves Ferreira

Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010

O caminho

Chegou o tempo de fechar uma porta para conseguir abrir outra, logo a seguir. Não há substituição, mas transporte. Acordei, hoje, com uma leveza que já tinha saudades. Recupero-me, todos os dias, pelas pessoas. É por elas - as boas, as autênticas - que me apetece continuar a sorrir e seguir em frente. Existe alguém, leve como o vento, suave como o orvalho, que nos cruza o coração e ataca o peito. Existe sempre, por aí, alguém para nos surpreender. O alguém pode ter um nome qualquer, porque o nome é o que menos importa. Quero voar, acordado, e é por aí, na corda do tempo, o sítio onde os anjos não têm asas nem estão no céu. É por aí o limbo. E é por aí que vou, a seguir. A luz está no fundo de tudo, dentro de ti.

Luís Gonçalves Ferreira