segunda-feira, 4 de abril de 2011

Ensinamentos

Passei vezes sem conta junto à porta onde enfermavas. Corri, vezes sem conta, na oposta direcção dos cuidados prestados por alguém à tua dor. Dói recordar esses passos. Não prezei a nossa história. Não te prezei devidamente. É o maior remorso da minha vida aquele que me ensinaste no leito da tua morte. A partir daí jamais dei menos que "tudo" às pessoas. E isso tem um contra-peso, como tudo na vida: não receber menos que "tudo" causa desilusão. É talvez o maior egoísmo de se viver aprisionado em valores: não sabermos descolar-nos do molde. A partir daí magoei-me como nunca tinha acontecido.
Em teu respeito, mesmo que volte a sofrer, fá-lo-ei até encontrar alguém tão humanamente irrepreensível como tu o foste... 

Luís Gonçalves Ferreira

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