terça-feira, 28 de junho de 2011

Solto

Acho que eram dois dias quando te contei pela última vez. 
Acho que éramos um só quando te sonhei pela última vez. 
Acho que me restam perguntas por responder e um conjunto inacreditável de respostas sem terem tido direito a pergunta ou à curiosidade da alma. 
A vida é uma constante de mortes e renascimentos, personificados no doloroso final e no glorioso início que todos conhecemos. Mas a morte e o nascimento não moram só nas primárias e finais instâncias que o céu e o inferno nos fazem acreditar. Renascemos vezes sem contas e ressuscitamos como fazemos morrer presenças. E não existe nada mais assustador que essa instabilidade: está tudo arrumado em gavetas e não sabemos se existe purgatório a seguir que baste aos nossos medos. Isso é o bem e o mal, o certo e o incerto, o tido como o achado. 
Apetecem-me frases soltas. 
Soltam-se pensamentos e não se agarram palavras.
E só precisava de escrever isto.

Luís Gonçalves Ferreira

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