domingo, 15 de janeiro de 2012

Catorze

Estás deitado ao meu lado, no corte da respiração dos nossos corpos. O teu cheiro destila-me as memórias e faz-me gravar outras tantas. E nenhuma delas controlo. Não há nada melhor do que estar intensamente apaixonado: os nossos sentidos tornam-se clichés em cortejo, presos em tempos que não são iguais aos das pessoas normais. É dia quinze de janeiro, mas apetece-me gravar a moldura aos catorze. Sim, a vontade é importante. E nesta coisa das relações é o fundamental: não controlas o início, nem os pormenores metafísicos da química, mas estás no fio-da-navalha que é o presente. Traças rumos, arquitectas futuros e sonhas. E sonhar é a melhor coisa do mundo. Não é que veja o mundo a cores, mas recuso-me a vê-lo a preto e branco. O teu calor, colado ao braço que escreve, prova-me isso. Provas-me muitas coisas, diariamente, mesmo nas negatividades que tudo o que é positivo tem. Que tudo o que é positivo tem. Gravo-te o tempo nesta última legenda: que tudo o que é positivo tem.  E adiciono areia ao nosso relógio do tempo. Deixo-o correr permitindo-o correr. E não controlo, porque já perdi esse condão.

E, aos catorze, entre o meu e o teu nascimento, dá-se o renascimento, nas paredes da simbologia que as minhas metáforas te permitem analisar. E isso descreve-nos: um misto delicioso entre a emoção e a razão. Que o equilíbrio dure muito tempo, mesmo que o contra-balanço tema o excesso de medida, de peso.

Tinha que escrever isto. Para ti.

Luís Gonçalves Ferreira

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