domingo, 2 de dezembro de 2012

Cartas de amor?

Não há nada de comparado ao teu cheiro de final de noite. Não há nada de semelhante à tua timidez complexa, ao teu autismo não patológico ou à tua serenidade. Não há nada explicavelmente semelhante ao “deixar para depois”, pela certeza da eternidade ou medo da entrega absoluta. - Sabe tão bem escutar “temos muito tempo”. 

(Penso logo que te voltarei a perder) 

Habituei-me a tempos curtos e a fantasias que rápido perderam o pó. Não existe nada mais bonito e intrigante que as tuas cicatrizes. Não existe nada mais incrível que os teus sinais nas costas, a tua pele macia, o teu cheiro a fruta tropical, no depois do banho. Não existe nada como esta insegurança, este medo de te perder, ou esta certeza quase absoluta que vai durar para sempre. Não há nada como sentir quando me queres e quando erradamente te sinto a cansares da minha presença. Tudo para que eu não prenda de mais, tudo para que eu não perca a minha essência - afinal foi isso que te apaixonou. 

Sabes, amo-te como acho que nunca amei - ao contrário de ti, que já amaste; já sofreste. Eu não sei nada de erros. Eu não sei nada de despedidas. Eu não percebo alguma coisa de regressos. Todas as viagens da minha vida parecem só ter tido um sentido ao pé disto - o de nunca ter saído do mesmo lugar a julgar ter viajado o universo inteiro. Acho que tens medo de te voltares a afundar, mas eu só preciso que te o braço continue aí, ao espaço de te dar a mão. Isto dá-me a imensa infantilidade de não saber como se faz, de não ter corpo em nada com medo que parta. Tu mereces-me. E, na soma de tudo, mesmo estando à tua frente, continuo com saudades tuas. Espero morrer com esta imensidão e que tu ainda estejas comigo. Espero viver até lá com esta energia no meio de nós. 

Luís Gonçalves Ferreira

2 comentários:

  1. "Uau!" Luís !!

    Não lia um texto tão apaixonado há muito tempo!! Foi um deleite enorme ler isto, conseguiste transmitir um sentimento que além de forte, ultrapassa barreiras!!

    Um grande abraço,
    de veras, foi um prazer ler isto,
    Obrigado,

    xxx
    K.

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    Respostas
    1. Obrigado pelo comentário! :) O sentimento que, neste momento, espero que ultrapasse a barreira da saudade, porque ainda não desapareceu. Espero que voltes mais vezes.

      Um abraço!

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