terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Do medo do escuro:

Deixaste de te aproximar de mansinho, como quem chega a meio da noite, no fim do trabalho. Deixei de te sentir o cheiro perto, o aroma a frutos. Deixei de te tocar à noite, de manhã, nas noites quentes em que os nossos corpos se mexiam nos mesmos lençóis, no mesmo prazer. Deixamos de ver-nos tantas vezes, de estar juntos como antes. Sinto pedaços de mim a serem retirados de dentro de mim. Imaginar-te com outra pessoa é morder-me todo por dentro. É como se me perdesse, todos os dias, principalmente à noite, quando tenho mais saudades. Hoje está a ser um dia difícil, confesso-te. Estou cansado, sinto-me perdido, mesmo tendo cumprido as metas que a nova vida me obriga. Não quero contar mais horas, apenas desejo dormir. Tenho saudades tuas. Do que fomos e já não somos e desta imensidão que está dentro de mim. É uma barragem a abrir comportas, é um tremendo desamparo. Espero ser feliz. É o que mais tenho desejado e feito por isso. E de um dia recordar que tudo não passou de uma fase. Espero ter-te ao meu lado. Espero sentir os teus frutos. Espero ter a tua pele macia colada na minha. Tenho medo de sonhar. Tenho medo de sofrer, porque sonhar alto dificulta a concretização das realidades. Eu tenho medo. Do escuro. E acho que nunca repeti esta frase tantas vezes como nos últimos tempos. Eu tenho medo.  

Luís Gonçalves Ferreira

Texto originalmente escrito em 15/01/2013

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