quarta-feira, 12 de junho de 2013

Não me apetece título

Todas as pessoas têm um pouco de privilégio em perseguir aquilo que lhes faz mal. Como se o vício da sua loucura fosse a loucura em si mesma, sem adjacências, nem intermediários, nem tão-pouco actores secundários que um dia roubariam a cena e subiriam de posto. Inatamente nos colamos ao erro, por mais surdas, estridentes ou caladas que sejam as vozes que nos avisam. Por mais prudentes que sejam os deuses que nos auxiliam... Por mais sensatas que sejam as ombreiras que nos tombam o pecado, ou o túmulo ou a decadência em peso morto do corpo moribundo em que aquela carência nos transformara. Morreremos sem perceber o porquê de tanto adorarmos o mal-trato? Acabaremos com isto na quarta ou na décima adolescência? Na verdade, existe justiça superior, do karma, ou simplesmente temos que nos deixar de preocupar com isso?
Viver assusta-me enquanto paira na incerteza. E não há cartas nem deuses nem búzios nem ciência nem presidentes nem nada de humano que deite areia neste vazio. Viver assusta-me. Se e só se quando pairado na incerteza. E que tal partimos da única e inatacável que temos? E que tal reorganizar tudo em função de nós mesmos? Afinal, restamo-nos, na última hora. E ter-nos é a única certeza na vida. Na puta da vida.

Luís Gonçalves Ferreira

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