segunda-feira, 3 de junho de 2013

Patologias

- Tenho aqui uma dor, por entre as costelas e o pulmão, doutor.
- Identifico ansiedade, caro. E mal ruim. 
- Devo tomar algo?, perguntou a paciente.
O médico, pronto, exclamou:
- Tempo. Isso que tem, passa com tempo. Mais novo e achei que se comprava. Enganei-me. Obstinei-me à procura de respostas, não as encontrei. Tentei automedicar-me através das hetero-drogas que fui achando. Sofri mais. O conselho que tenho para lhe dar é que saiba esperar. Eu não morri e quando dei por mim já tinha esperado tudo o que havia para esperar. A novidade é: hei-de esperar a vida inteira. É isso o tempo: uma ansiedade por algo que realmente não existe. O enésimo antes deste é passado, por isso de que adianta correr atrás do presente, ou do futuro, ou do tempo? É preciso saber aceitar. Aceitar e acreditar. Nas pessoas, no tempo, no que não existe. E isso é o mais complexo, especialmente quando queremos o que em nada depende de nós. Agora durma, meu caro. O tempo passa a correr e nem boa noite ao futuro consegue dizer.

Luís Gonçalves Ferreira

Escrito originalmente em 28 de Maio de 2013, na minha página do Facebook. 

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