segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Cortina

Grito surdo num túnel de vento. Angústia. Pânico. Nojo. Fobia do desprezo, do desengano, do desapego. Arrependimento. Interesse. Amor. É um fogo desértico num corpo gelado de revolta, raiva. Talvez seja tão-só repulsa num corpo prostituído por um vagabundo. É um instante que nem gritar livremente me permite. Estou preso numa câmara com oxigénio milimetricamente controlada. É um crime de guerra numa operação de gosto e desengano. É como um vómito entalado no meio do choro. É uma represa prestes a abrir comportas. 
Não há preces que valham nem santos que acudam e há muito que promessas deixaram de fazer sentido. É uma prisão de cordas, tolas cortinas. O pano não cai. A dor não passa. O barco não acalma. O mar nem abranda. 
Casca de laranja que flutua pelo mar. Há um grito mudo que não sai. 
Fumaça.
Repulsa. 
Desengano.
Cortina de Raiva.

Luís Gonçalves Ferreira

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