terça-feira, 14 de abril de 2015

sobre a escrita

O poder das palavras é inquestionavelmente infinito. São o nosso maior compromisso para com os outros: fusão do planisfério da mente com o concreto dos sentidos. 
Sempre senti uma disfunção entre o painel do cérebro e a capacidade de concretização. Como se palavras fossem poucas para personificarem o que, de leve, pelos pensamentos transborda. É de um caso de deficiência muda na comunicação, ou escravatura dela, se tratasse. Digo, muitas vezes, que sinto uma prisão enorme dentro de mim próprio. Como a voz gritasse, em desespero, "salva-me", e as pernas nem do lugar conseguissem sair. Como se as emoções tivessem sido enclausuradas e uma parca tristeza em relação ao mundo se acumulasse. 
O dinheiro, o poder, o amor e os jogos de ego. A incapacidade de relacionamento e uma doença interior que cresce, como um cancro do sentir. Dizia hoje, a uma amiga, que passei de uma tristeza desiludida para uma tristeza calada. Como se o desintegrar absoluto do mundo tivesse conquistado o seu maior pódio: o da força interior dos seres mudos; dos acomodados que em cima de muitos se amontoam; da soma dos iguais. 
Venho no automóvel e a poesia cresce. Não há nada mais romântico do que aquilo que escrevemos sem violarmos as barreiras do som. Entre o primeiro acto criativo e a exteriorização há palavras que se perdem para sempre. Há outras mais que ficam e eternizam. Não tenho noção qual dos valores é o maior.
Escrever submerso é impossível: que lamento!

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