segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Mataram a cidade

Enjoa-me o que fizeram da política. Vejo bandeiras, enchentes, encenações partidárias. Vejo as paradas grotescas que são as arruadas, os comícios, jantares e tainadas. A "cidade" e o povo tornaram-se representados por uma máquina partidária potente, de tablóide, minada pelos caciques e os jotas, com bandeiras compradas e vontades falseadas. Todos somos disso também.
Fizeram da política um desfile de vaidades, mentiras, discursos decorados, frases feitas e chavões. Fizeram da pólis - do que é de todos - uma feira da Vandoma onde o polícia compra produto contrafeito. 
Destruíram a cidade dos Gregos, o contrato social de Rosseau, as inovações do marxismo e da democracia cristã. Reduziram tudo a pó, ao totalitarismo da enchentes, às marginalidades das grandes corporações. Dói-me ver a minha geração sem consciência política, espírito crítico, marchando como peões num xadrez minado. Absolutismos informados sem direito ao plural.
Dia 4 de outubro não vencerá o PSD/CDS, nem o PS, nem a liberdade. Dia 4 de outubro vencerá a abstenção, o jogo boys and their toys, as ideologias corporativas, a macrocefalia de Lisboa, a litoralização, a falta de abordagem acerca da justiça ou da regionalização, o silêncio sobre a renovação constitucional. 
Enquanto continuarmos sozinhos, unicamente preocupados com o jantar de borla que nos pode cair no prato, estaremos alinhados nesta falta de lucidez sobre o estado da "res publica". 
Estamos num beco sem saída com um lume quente às costas. Somos como ratos aflitos que não percebem a facilidade da saída. Magoa-me ligar a televisor em tempo de eleições: cheira-me a esgoto, Salazar ou D. João V. Bandeiras, sinais sonoros, campos de batalha. O que há de diferente?

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