domingo, 8 de janeiro de 2017

A Soares, pela liberdade.

Podemos criticar tudo: o buraco da Fundação, o caciquismo, a dificuldade em deixar o sistema por si montado em paz. Ao contrário de nós, que nos sentamos num sofá e mandamos postas de pescada livremente, Mário Soares lutou contra um monstro: o fascismo. Nunca teve medo, até ao final da vida. O país não lhe deve nada para além do respeito. Respeito por nunca ter tido medo.

Numa altura em que somos todos órfãos de sentido crítico, consciência autónoma e pensamento livre, talvez seja essa a mensagem de Mário Soares para o ano novo, pela glória da morte. A democracia só serve enquanto nos servir; agora que morrem, na velhice, os últimos obreiros do Portugal democrata, talvez seja tempo de pensarmos sobre a nossa existência democrática.

Apesar de não concordar com a maioria do seu pensamento político e económico, devo a Mário Soares a liberdade de o expressar livremente.

A democracia não tem preço, mas Soares teve-o; como todos nós.

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