sexta-feira, 20 de janeiro de 2017


Há um par de dias, quando estava a trabalhar no meio da herança que nos deixaste, contou-me um vendedor mais pormenores sobre ti: a inteligência dos negócios misturada com a mãe que sempre foste. 
Mãe para nós e para todos aqueles que colheram da tua bondade.

Não me lembro do teu cheiro, mas ainda me emociono quando tento encontrar o teu rosto. Hoje já não existe aquela saudade esfomeada que outrora em mim habitou; hoje há calma, avó Júlia. Serena calma como o mar de Inverno.

As noites de 20 de janeiro, dia de São Sebastião (padroeiro da casa do bisavô), ainda continuam frias. Noites geladas com aqueles dias quantos os anos cujas duas mãos já não chegam para contar.

Ias adorar ver os olhos azuis da Francisca...

Passaram doze anos desde que a presença mais renovadora das nossas vidas partiu, deixando-nos o império da sua memória. Entretanto, remendamo-nos no melhor que sabemos ser em recordação do profundo que há de si entre nós.

Luís Gonçalves Ferreira 

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